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NBR 17225: o que seu site precisa ter para ser acessível

Descubra o que a NBR 17225 exige para seu site ser acessível e como implementar as diretrizes da nova norma técnica brasileira.

03 de agosto de 2026
9 min de leitura
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NBR 17225: o que seu site precisa ter para ser acessível

NBR 17225: O Guia Definitivo para Sites Acessíveis no Brasil

Seu site precisa ser acessível a todos, e desde 2015 a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) obriga empresas com sede ou representação comercial no Brasil a garantir isso. No entanto, a falta de clareza sobre como implementar essa acessibilidade levou a uma realidade preocupante: menos de 3% dos sites brasileiros cumprem os requisitos. Felizmente, a partir de março de 2025, temos a NBR 17225, a norma técnica brasileira que detalha exatamente o que é necessário. Este post vai traduzir essa norma em tarefas práticas e verificáveis para o seu site.

Principais pontos:

  • A NBR 17225 é a norma técnica brasileira para acessibilidade digital, publicada em março de 2025.
  • Ela se baseia nos critérios da WCAG 2.2 e estabelece 146 diretrizes para garantir que sites sejam utilizáveis por todos.
  • A norma cobre desde navegação por teclado e contraste de cores até interações complexas como CAPTCHAs.
  • Menos de 3% dos sites brasileiros atendem aos padrões de acessibilidade atuais.
  • Implementar a NBR 17225 é uma obrigação legal e um passo crucial para a inclusão digital.

A Necessidade Urgente de Acessibilidade Digital

A acessibilidade digital não é apenas uma questão de conformidade legal; é sobre inclusão e igualdade de oportunidades. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015), em seu artigo 63, estabelece claramente: "É obrigatória a acessibilidade nos sítios da internet mantidos por empresas com sede ou representação comercial no País". Essa determinação visa garantir que pessoas com deficiência tenham acesso pleno a produtos, serviços e informações online.

A realidade, contudo, mostra uma lacuna significativa. Um levantamento do Movimento Web para Todos, em parceria com a BigDataCorp, revelou que menos de 3% dos sites brasileiros cumprem os padrões de acessibilidade. Simone Freire, fundadora do Movimento Web para Todos, ressalta a importância disso: "Inovação significa garantir que todas as pessoas tenham acesso a produtos e serviços, e sem acessibilidade isso não é possível". A NBR 17225 surge como um farol, oferecendo um roteiro técnico para atingir esse objetivo.

O Que é a NBR 17225?

Publicada em 11 de março de 2025 pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a NBR 17225 é a primeira edição da norma técnica brasileira focada em acessibilidade digital. O desenvolvimento da norma levou cerca de dois anos e contou com a participação de 178 especialistas no Comitê de Acessibilidade da ABNT (ABNT/CB-040). A coordenação técnica foi de Reinaldo Ferraz, gerente de projetos do Ceweb.br do NIC.br. Após uma consulta nacional, a norma foi finalizada.

Infográfico ilustrando os pilares da NBR 17225, como navegação por teclado, contraste de cores, alternativas de imagem e interações.
A NBR 17225 abrange diversos aspectos para garantir a inclusão digital.

A NBR 17225 compila um total de 146 diretrizes, que incluem tanto requisitos obrigatórios quanto recomendações. Ela se alinha aos critérios estabelecidos pelas Web Content Accessibility Guidelines (WCAG) 2.2, um padrão internacionalmente reconhecido. A norma abrange uma vasta gama de elementos essenciais para a experiência do usuário, garantindo que o conteúdo online seja percebido, compreendido, navegável e robusto para todos, independentemente de suas habilidades.

Diretrizes Essenciais da NBR 17225

A norma detalha múltiplos aspectos de um site para assegurar sua acessibilidade. Vamos explorar alguns dos pontos cruciais que seu site precisa considerar:

1. Interação por Teclado

Todos os recursos interativos, como botões, links e formulários, devem ser operáveis utilizando apenas o teclado. Isso é fundamental para usuários que não podem utilizar um mouse. A navegação deve ser lógica e intuitiva, permitindo que o usuário se mova facilmente entre os elementos.

2. Conteúdo de Imagens

Imagens que transmitem informação precisam ter alternativas textuais (texto alternativo ou alt text). Se uma imagem for puramente decorativa, ela deve ser marcada para ser ignorada por tecnologias assistivas. Isso permite que leitores de tela descrevam o conteúdo visual para usuários com deficiência visual.

3. Estrutura e Cabeçalhos

A correta utilização de cabeçalhos (H1, H2, H3, etc.) é vital para organizar o conteúdo e facilitar a navegação. Um bom uso de cabeçalhos ajuda usuários de leitores de tela a entender a estrutura de uma página e a pular para seções de interesse.

Os textos dos links devem ser descritivos, indicando claramente o destino ou a ação que será realizada ao clicar. Evite textos genéricos como "clique aqui".

5. Uso de Cores e Contraste

A acessibilidade visual depende de um contraste adequado entre o texto e o fundo. A NBR 17225, seguindo a WCAG 2.2, estipula um contraste mínimo de 4,5:1 para texto normal e 7:1 para texto aprimorado. Além disso, a cor não deve ser o único meio de transmitir informação; outros indicadores visuais ou textuais devem complementar a mensagem.

6. Fontes e Layout

As diretrizes incluem especificações para espaçamento e legibilidade. Recomenda-se um entrelinhamento de pelo menos 1,5 vez o tamanho da fonte, espaçamento de parágrafo de 2 vezes, espaçamento de letras de 0,12 e de palavras de 0,16. Isso melhora a leitura para todos, especialmente para pessoas com dificuldades de aprendizado ou dislexia.

7. Formulários e Interações

Formulários devem ser claros, com rótulos associados a cada campo. Mensagens de erro devem ser específicas e fáceis de identificar. Itens críticos como CAPTCHAs e reconhecimento facial devem oferecer alternativas acessíveis ou mecanismos que não criem barreiras intransponíveis.

8. Alvos de Toque e Animações

Para dispositivos com tela sensível ao toque, os alvos de toque (botões, links) devem ter um tamanho mínimo de 24 por 24 pixels CSS. Animações devem ser controláveis: não podem iniciar sozinhas nem durar mais de 5 segundos em paralelo a outro conteúdo, permitindo que o usuário as pause, pare ou esconda.

Usuário utilizando leitor de tela e close-up de tela com alvos de toque amplos para demonstrar acessibilidade.
Ferramentas de tecnologia assistiva e design de interface são cruciais para a acessibilidade.

A NBR 17225 não é apenas um conjunto de regras técnicas, mas um compromisso com a inclusão e a experiência de todos os usuários.

Como Avaliar a Acessibilidade do Seu Site

A NBR 17225 inclui um checklist para auxiliar na avaliação do nível de acessibilidade de um site. Na prática, a auditoria pode seguir um fluxo de testes que combina ferramentas automatizadas e verificações manuais:

  1. Ferramentas Automatizadas: Inicie com ferramentas como o Lighthouse (integrado ao Chrome DevTools) ou o WAVE (Web Accessibility Evaluation Tool). Elas identificam muitos problemas comuns rapidamente.
  2. Navegação por Teclado: Teste a navegação em todas as páginas críticas usando apenas as teclas Tab (para avançar) e Shift+Tab (para retroceder). Certifique-se de que todos os elementos interativos sejam alcançáveis e que o foco seja visível.
  3. Leitores de Tela: Utilize leitores de tela como NVDA (gratuito, para Windows) ou VoiceOver (integrado ao macOS e iOS) para simular a experiência de um usuário com deficiência visual. Navegue pelas páginas mais importantes e interaja com os elementos.
  4. Análise de Contraste: Verifique o contraste de cores com ferramentas específicas para garantir que os requisitos de 4,5:1 ou 7:1 sejam atendidos.
  5. Revisão de Conteúdo: Avalie se o conteúdo é claro, se as imagens possuem alt text adequados e se a estrutura de cabeçalhos está correta.

O Que Fazer se Seu Site Não Está em Conformidade?

Se a auditoria revelar que seu site não atende aos requisitos da NBR 17225, o primeiro passo é priorizar as correções. Um bom ponto de partida é focar nos requisitos mais críticos e naqueles que impactam diretamente a navegação e o acesso à informação principal.

Para quem utiliza plataformas como o WordPress, existem plugins e temas que já oferecem funcionalidades de acessibilidade. No entanto, a customização e a atenção a detalhes específicos ainda são cruciais. Para desenvolvedores front-end, é fundamental integrar as práticas de acessibilidade desde o início do ciclo de desenvolvimento. Se você usa WordPress ou Next.js, verifique as capacidades de cada um para acessibilidade.

Mãos codificando em um laptop, com um checklist de acessibilidade ao fundo, simbolizando o processo de adequação de sites.
A adequação à NBR 17225 exige atenção ao código e aos requisitos de usabilidade.

A implementação pode exigir ajustes em CSS, HTML e JavaScript. Por exemplo, garantir que componentes interativos tenham os atributos ARIA (Accessible Rich Internet Applications) corretos, que o foco do teclado seja gerenciado adequadamente e que os contrastes de cor sejam suficientes.

Perguntas Frequentes

A NBR 17225 é obrigatória para todos os sites?

A obrigatoriedade legal, estabelecida pela Lei Brasileira de Inclusão, se aplica a empresas com sede ou representação comercial no Brasil. A NBR 17225 é a norma técnica que especifica os requisitos para cumprir essa obrigação. Portanto, se sua empresa se enquadra na LBI, adequar seu site à NBR 17225 é fundamental.

Qual a diferença entre a NBR 17225 e a WCAG 2.2?

A NBR 17225 é a norma técnica brasileira que foi construída com base nos critérios da WCAG 2.2, que é um padrão internacional. A norma brasileira traduz e adapta os princípios da WCAG para o contexto e a legislação do Brasil, fornecendo um guia mais prático e específico para o mercado nacional.

Quanto tempo leva para adequar um site à NBR 17225?

O tempo varia muito dependendo da complexidade do site, da sua estrutura atual e da equipe disponível. Sites menores e mais simples podem levar semanas, enquanto grandes portais ou e-commerces com muitos recursos interativos podem exigir meses de trabalho. É um processo contínuo que deve ser integrado ao desenvolvimento.

Um site acessível garante mais tráfego?

Diretamente, um site acessível pode não gerar mais tráfego, mas ele amplia o público que pode acessar e interagir com seu conteúdo. Indiretamente, a melhor experiência do usuário e a conformidade com padrões de qualidade podem impactar positivamente o SEO, além de evitar penalidades legais. Um site acessível também pode gerar Geração de Leads mais qualificados, pois remove barreiras de acesso para potenciais clientes.

Conclusão

A NBR 17225 representa um avanço significativo para a acessibilidade digital no Brasil, traduzindo a obrigação legal da LBI em diretrizes técnicas claras. Implementar essas diretrizes não é apenas cumprir a lei, mas garantir que seu negócio seja inclusivo e alcance um público mais amplo.

Comece hoje mesmo revisando os contrastes de cor e a navegação por teclado do seu site. São passos simples que já fazem uma grande diferença.

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Lee Sugano

Agência de soluções digitais com base no Japão e clientes em mais de 10 países. Compartilhamos insights sobre desenvolvimento, design e marketing digital para empresas que não aceitam genérico.

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